Lula se despede do Japão com acordos comerciais na bagagem
Lula deixou o Japão após quatro dias de agenda no país asiático. Em sua primeira longa viagem após o acidente doméstico que sofreu em outubro, o presidente assinou dez acordos e quase 80 instrumentos de cooperação entre o Brasil e o país asiático. “Foi a visita mais importante das cinco que fiz ao Japão”, resumiu Lula em coletiva de imprensa (íntegra da entrevista) antes de embarcar para o Vietnã, seu segundo destino no continente. O objetivo da viagem foi abrir portas e aumentar o fluxo comercial entre os países, que caiu de US$ 17 bilhões em 2011 para US$ 11 bilhões, sobretudo em áreas como transição energética, agricultura e pecuária, aviação, ciência e tecnologia. A comitiva fechou um acordo de compra de 15 jatos da Embraer pela All Nippon Airways, maior companhia aérea japonesa, um negócio estimado em US$ 1,2 bilhão. Há ainda a chance de um acordo comercial entre Japão e Mercosul, e o potencial de abrir o mercado japonês para a carne brasileira. (Meio)
PGR pede arquivamento de investigação contra Bolsonaro sobre fraude em cartão de vacina
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta quinta-feira o arquivamento da investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por suposta fraude em certificados de vacinação contra a Covid-19, alegando falta de provas para sustentar uma denúncia. Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid — que afirmou ter agido a mando de Bolsonaro — não foi corroborada por outras testemunhas ou evidências, tornando insuficiente o fundamento para responsabilizar o ex-presidente pelo crime de inserção de dados falsos no sistema do Ministério da Saúde (SI-PNI). A PGR destacou que, embora informações falsas sobre a vacinação de Bolsonaro e de sua filha tenham sido inseridas em dezembro de 2022, não há indícios de que os certificados tenham sido utilizados. O pedido de arquivamento, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), inclui também o deputado Gutemberg Reis (MDB-RJ) e ocorre um dia após Bolsonaro e outros sete investigados terem sido tornados réus por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A investigação da Polícia Federal apontou que o esquema envolvia Mauro Cid, o ex-militar Ailton Barros, que concorreu ao cargo de deputado estadual pelo PL fluminense em 2022, e o então secretário de Governo de Duque de Caxias, João Carlos Brecha, responsável por inserir os dados falsos no sistema. Bolsonaro negou qualquer irregularidade, afirmando nunca ter usado certificados fraudulentos. O caso permanece distinto da apuração sobre os atos golpistas, em que a delação de Cid foi respaldada por outras provas. (Globo)
Lula ameaça retaliação caso EUA mantenham tarifa sobre aço e alumínio
O presidente Lula afirmou nesta quarta-feira, durante visita ao Japão, que caso o recurso que o Brasil apresentou à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas de 25% não surta efeito, o governo brasileiro pretende adotar a reciprocidade e taxar produtos americanos. “Não dá para a gente ficar quieto, achando que só eles têm razão e que só eles podem taxar outros produtos”, disse o presidente. Até o momento, o Brasil tem optado pela via diplomática, liderada por Geraldo Alckmin e pelo Itamaraty, mas internamente já se reconhece que a OMC está paralisada e os EUA têm bloqueado a indicação de juízes para o órgão de apelação, travando seu funcionamento. Diante da limitação institucional e da relevância comercial dos EUA para o Brasil, diplomatas enxergam a negociação direta como a alternativa mais pragmática no curto prazo. Lula ainda acusou Donald Trump de não medir as consequências de suas decisões e alertou para o risco de inflação nos EUA. (g1)
Morre Fuad Noman, prefeito de Belo Horizonte, aos 78 anos
O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), morreu nesta quarta-feira, aos 78 anos, após quase três meses internado. Ele estava no Hospital Mater Dei desde o início de janeiro, quando apresentou um quadro grave de insuficiência respiratória. Tinha sido reeleito em outubro do ano passado e tomou posse remotamente, já debilitado. O enterro será restrito à família. Servidor de carreira do Banco Central e economista, Fuad teve uma longa trajetória na administração pública, mas só entrou na política em 2016, ao aceitar o convite para integrar a equipe de transição de Alexandre Kalil na prefeitura de BH. Anos depois, virou secretário de Fazenda, vice-prefeito e, por fim, prefeito, assumindo o cargo quando Kalil renunciou. Em 2024, mesmo tratando um linfoma abdominal, disputou a reeleição e venceu, tornando-se o prefeito de capital mais velho do país. A prefeitura de BH disse, em nota, que ele “dedicou décadas de sua vida ao serviço público, sempre pautado pelo compromisso com a ética, o diálogo e o bem-estar da população de Belo Horizonte”. O vice Álvaro Damião (União Brasil), interino desde janeiro, assume o cargo em definitivo. (Globo)
Moraes fala em ‘risco iminente’ à democracia e Gonet aponta plano de poder de Bolsonaro
O ministro Alexandre de Moraes apresentou nesta manhã seu relatório sobre a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados, afirmando que o núcleo central da suposta trama golpista de 2022 representou um “risco iminente aos Poderes”. Durante o julgamento na Primeira Turma do STF – acompanhado pessoalmente por Bolsonaro, que chegou de surpresa minutos antes da sessão –, Moraes destacou que a denúncia da PGR identificou que “deles partiram as principais decisões e ações”, incluindo “discursos públicos agressivos”, “ataques virtuais” e o “uso da estrutura de inteligência do Estado” para monitorar autoridades. O relator citou que as instituições foram violadas e que apenas a falta de apoio do Alto Comando do Exército impediu a “neutralização violenta” dos alvos. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, reforçou a acusação, afirmando que Bolsonaro intensificou discursos de “ruptura com a normalidade institucional” a partir de 2021, especialmente após o presidente Lula tornar-se elegível e as pesquisas apontarem vantagem do petista. Gonet destacou que o ex-presidente manifestava descontentamento com o sistema eleitoral e decisões judiciais, e que a escalada culminou em um plano com ações concretas para se manter no poder. O julgamento segue com manifestações das defesas (15 minutos para cada acusado), que alegam nulidade da delação de Mauro Cid e pedem o envio do caso ao plenário do STF. A análise preliminar dos ministros ocorre nesta terça-feira, mas o mérito deve ser votado apenas amanhã. (Folha e CNN Brasil)
Os planos de Nunes
“Não tem coisa melhor do que o exercício da democracia. As pessoas têm o direito de se candidatar e de defender aquilo que acreditam.” Com essas palavras, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) comentou sobre a postura de Jair Bolsonaro (PL), que segue se posicionando como candidato à presidência nas eleições de 2026, apesar de sua inelegibilidade. Para o emedebista, embora Bolsonaro tenha seus direitos políticos cassados e enfrente a acusação de golpe de Estado — processo que começa a ser julgado nesta terça-feira, 25 —, o ex-presidente tem o direito de se manifestar. Nunes ainda questionou a legitimidade do Supremo Tribunal Federal (STF) para arbitrar o processo, argumentando que Bolsonaro não deveria ser julgado pela Corte, uma vez que “não tem foro privilegiado” por não ser mais presidente.
Uma História Sem Fim, mas com começo e Meio

“Nenhum período entregou tanto para o Brasil como a Nova República”, pontua em diversas ocasiões Pedro Doria, apresentador do documentário Democracia: Uma História sem Fim. Desde 1985, sobretudo com a promulgação da Constituição de 1988, o Brasil conseguiu incluir política e socialmente uma parcela muito grande da população.
Aliados de Bolsonaro preveem derrota por unanimidade no STF
O Supremo Tribunal Federal iniciará nesta terça-feira o julgamento para decidir se aceita a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados por suposta tentativa de se manter no poder após as eleições de 2022. A Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, vai analisar os crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e ameaça ao patrimônio público. Aliados de Bolsonaro acreditam em uma derrota por unanimidade após a defesa não conseguir afastar Zanin e Dino por suspeição. Além de Bolsonaro, são acusados Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Anderson Torres, Paulo Sérgio Nogueira, Almir Garnier, Alexandre Ramagem e Mauro Cid. O julgamento, que será transmitido pela TV Justiça, terá sustentação oral do procurador-geral Paulo Gonet. O entorno do ex-presidente teme que trechos das sustentações sejam usados contra Bolsonaro nas redes sociais, enquanto parlamentares bolsonaristas preparam contranarrativas. A segurança foi reforçada no interior e ao redor do STF, com medidas contra manifestações e ciberataques. O julgamento começará com a leitura do relatório por Alexandre de Moraes, sustentação de Gonet, defesas dos acusados e, por último, votação dos ministros. (Globo)