Jogos e sentimentos nos cinemas

Adaptações de videogames para o cinema são como a Mega Sena. É possível dar certo, mas pouquíssimo provável. Para cada Resident Evil há uma falange de Super Mario Bros. e Doom mostrando que diretores raramente entendem o que faz o jogo ser um sucesso. É essa escrita que Um Filme Minecraft, candidato a blockbuster nas estreias desta quinta-feira, quer quebrar. Voltado prioritariamente para o público infantil, Minecraft é um jogo de construção usando blocos e materiais “minerados” em um mundo aberto e “pixelizado”, em combinações de elementos cúbicos. Desde 2011, seu lançamento oficial após dois anos de testes, já vendeu 300 milhões de cópias. Cedo ou tarde Hollywood iria olhá-lo com cobiça. No filme que chega hoje às telas, quatro desajustados encabeçados por Jack Black e Jason Momoa vão parar nesse mundo cúbico, onde enfrentarão aventuras e precisarão descobrir novas habilidades. Lembrou-se do remake de Jumanji com o próprio Black? Você não está sozinho.
Para quem quer algo voltado para o público adulto, uma boa opção são os filmes “gêmeos” Love e Sex, do norueguês Dag Johan Haugerud, premiados no circuito de festivais, assim como Dream, que completa a trilogia. Os dois longas tratam, cada um a sua maneira, das as relações fluidas do século 21. Em Sex, dois colegas de trabalho, homens casados com mulheres, vivem experiências (uma real e outra imaginária) que os fazem questionar a própria sexualidade. Em Love, uma médica avessa a relacionamentos descobre nas experiências de um enfermeiro uma visão diferente de afetividade.
Dirigido por Arthur Lins, Pele Fina é centrado em Luísa, uma dramaturga que se isola com a família em uma praia para adaptar uma peça com temas pesados. Aos poucos, conforme ela vai mergulhando na trama e os conflitos familiares ganham nova dimensão com o isolamento, ficção e realidade se confundem.
Premiado com o Oscar de melhor direção por Traffic, de 2001, Steven Soderbergh nos brinda com o terror Presença. Chloe (Lucy Liu), o marido e os filhos adolescentes se mudam para uma casa a fim de espairecer uma perda, sem saberem que o imóvel é assombrado. Até aí, é a trama de um sem-número de filmes. O “toque Soderbergh” é que a história é contada pelo olhar da assombração.
Igualmente assustador, mas sem sobrenatural, Desconhecidos marca a estreia na direção de Giovanni Ribisi (o irmão da Phoebe em Friends) e começa com um encontro de sexo casual entre dois desconhecidos. A moça, vivida por Willa Fitzgerald, não sabe que está indo para o motel com um assassino em série e que a transa vai se transformar em uma perseguição de vida e, principalmente, morte.
Willa também estrela, junto com Scott Eastwood, Sylvester Stallone e Ísis Valverde (destacada no cartaz nacional), do thriller de espionagem Código Alarum. Os dois primeiros vivem um casal de agentes secretos que abandonou a carreira para viverem juntos até que, em uma aparente coincidência, encontram em um avião caído um pen drive com dados que podem destruir o mundo da espionagem. Com as cabeças a prêmio, eles precisam da ajuda de um veterano para sobreviverem. Mas talvez a jovem ex-espiã não seja o que aparenta.
Para rir sem compromisso ou grau de exigência muito alto, há Um Dia Daqueles, estrelado pelas cantoras Keke Palmer e SZA. As duas são amigas que moram juntas e se veem sob ameaça de despejo porque o namorado de uma delas sumiu com o dinheiro do aluguel. Para não ficarem na rua, vão encarar uma série de situações cômicas e comicamente perigosas.
E há uma boa safra de documentários, a começar por A Sobrancelha É o Bigode do Olho, de Alexandre da Costa. O filme resgata um dos mais brilhantes brasileiros, o jornalista, humorista e político fugaz Aparício Torelly (1895-1971), também conhecido como Barão de Itararé, em homenagem à celebre “batalha que não houve” da Revolução de 30. Sua ironia fina não poupava sequer as próprias agruras. Durante a ditadura do Estado Novo, policiais depredaram a redação de seu jornal e o espancaram barbaramente. Em resposta, ele mandou trocar a placa da porta de “bata antes de entrar” para “entre sem bater”.
Dirigido por Rubens Crispim Jr., O Bixiga é Nosso mostra a luta pela preservação da história e da cultura afrodescendentes no célebre bairro paulistano, que já abrigou um quilombo urbano.
Desenvolvido a partir de uma roda de conversas Menarca, de Lara Carvalho, aborda a experiência de pré-adolescentes com a primeira menstruação a partir de uma visão humanizada.
E Todo Dia É Dia de Feira, dirigido por Silvia Frahia, mergulha no universo das feiras livres cariocas a partir dos depoimentos e experiências de quatro feirantes.
Confira a programação completa nos cinemas da sua cidade. (AdoroCinema)