Moraes fala em ‘risco iminente’ à democracia e Gonet aponta plano de poder de Bolsonaro
O ministro Alexandre de Moraes apresentou nesta manhã seu relatório sobre a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados, afirmando que o núcleo central da suposta trama golpista de 2022 representou um “risco iminente aos Poderes”. Durante o julgamento na Primeira Turma do STF – acompanhado pessoalmente por Bolsonaro, que chegou de surpresa minutos antes da sessão –, Moraes destacou que a denúncia da PGR identificou que “deles partiram as principais decisões e ações”, incluindo “discursos públicos agressivos”, “ataques virtuais” e o “uso da estrutura de inteligência do Estado” para monitorar autoridades. O relator citou que as instituições foram violadas e que apenas a falta de apoio do Alto Comando do Exército impediu a “neutralização violenta” dos alvos. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, reforçou a acusação, afirmando que Bolsonaro intensificou discursos de “ruptura com a normalidade institucional” a partir de 2021, especialmente após o presidente Lula tornar-se elegível e as pesquisas apontarem vantagem do petista. Gonet destacou que o ex-presidente manifestava descontentamento com o sistema eleitoral e decisões judiciais, e que a escalada culminou em um plano com ações concretas para se manter no poder. O julgamento segue com manifestações das defesas (15 minutos para cada acusado), que alegam nulidade da delação de Mauro Cid e pedem o envio do caso ao plenário do STF. A análise preliminar dos ministros ocorre nesta terça-feira, mas o mérito deve ser votado apenas amanhã. (Folha e CNN Brasil)